Demências, a reabilitação cognitiva é possível?

A reabilitação neuropsicológica enquanto continuidade de um tratamento

A reabilitação neuropsicológica tanto é possível como vem sendo considerada cada vez mais pelos profissionais de saúde. Faz parte de um processo que se inicia com a avaliação e dá continuidade a um tratamento, buscando uma intervenção aliada à medicamentosa. Após avaliação, emiti-se um relatório que é utilizado para a construção do programa de reabilitação neuropsicológica.

Essa, consiste num conjunto de práticas como a reabilitação cognitiva, a psicoeducação e orientação à família, psicoterapia, organização de um ambiente terapêutico e trabalho de ensino protegido com os pacientes, de acordo com Prigatano, citado por Miotto, em 2002.

As intervenções geralmente almejam aliviar as manifestações iniciais da doença, que vão desde um sutil esquecimento, progredindo para profunda perda de memória à disfunção cognitiva, distúrbios comportamentais e emocionais, além de alterações que interferem nas habilidades do paciente em desempenhar suas atividades do dia a dia (Green, 2001). Além disso, visam fortalecer as funções preservadas na tentativa de compensar as habilidades perdidas. Em se tratando de outros transtornos, como no Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade -TDAH, Transtorno do Espectro doAutismo (TEA) e outros, a reabilitação também objetiva fortalecer algumas funções e habilitar ou reabilitar outras, como a atenção e controle do impulso, por exemplo. Não abordaremos aspectos relacionados à prevenção e, para tanto, sugerimos nosso artigo https://clipsin.com.br/prevencoes-do-alzheimer/ nesse site.

Caminhos possíveis

Muitos profissionais não encaminham a pessoa com demência para reabilitação neuropsicológica, entretanto, estudos têm mostrado a sua importância, tanto para o paciente como para a família. Os caminhos possíveis, além do apoio medicamentoso, seriam as orientações à família que são bastante válidas bem como indicação de literatura e encaminhamento para outros profissionais como fisioterapeuta, educador físico, terapeuta ocupacional e outros, haja visto ser um tratamento multidisciplinar. O treino cognitivo, uma das possibilidades da reabilitação, contribui para o fortalecimento das habilidades preservadas, conforme dito acima, além da possibilidade de promover engajamento do paciente no tratamento, restabelecer a autoestima e ajudar o paciente a compreender melhor o seu processo. Diversos produtos podem ser encontrados para fins de treino cognitivo e citamos o site https://www.cognos.vc/ que apresenta diversas opções para estimulação cognitiva, além do https://www.reab.me/. A reabilitação neuropsicológica promove a possibilidade de diminuir os conflitos familiares com a orientação adequada e respostas aos questionamentos e aflições familiares, além de retardar um pouco a evolução do quadro. É muito reconfortante acompanhar as mudanças no humor do paciente, na autoestima, seu empenho em realizar as atividades e ver sua adesão ao tratamento.

Sugestões de leitura para a família

Miotto (2002) cita o livro “Alzheimer, o dia de 36 horas”, como sugestão de leitura tanto para o profissional como para a família, e discorrerei aqui sobre este livro. Os autores Mace e Rabins publicaram pela primeira vez em 1981 e a versão brasileira baseou-se na 6ª edição, portanto, é um livro que está em circulação há quase 40 anos. Nele, discorrem sobre o que é demência, sobre qual avaliação buscar quando há suspeita do quadro e os sintomas característicos. Ainda, os problemas que afetam a independência, os problemas enfrentados nos cuidados diários e os problemas médicos associados. Então, os sintomas comportamentais e neuropsiquiátricos, mudanças de humor, quais as ajudas externas buscar, sobre o cuidador, a relação de crianças e adolescentes com a pessoa com demência e questões financeiras e legais são tratadas nele. Abordam também as providências para cuidados de longa duração, formas de prevenir e retardar o declínio cognitivo, distúrbios cerebrais e e suas causas da demência, além de pesquisas sobre a demência, citando por por exemplo falsas curas. O livro tem 426 páginas e os autores dão muitos exemplos de pessoas com Alzheimer.

Outro livro que comprei e que, inicialmente tive vontade de rasgar foi O Fim do Alzheimer, de Dale E. Bredesen, da ed Objetiva. Minha expectativa em relação ao seu conteúdo era muito alta, não que tivesse a pretensão de aprender sobre a cura do Alzheimer, mas porque pensei que quando diz “o primeiro programa para prevenir e reverter o declínio cognitivo” o autor apresentasse algum programa que pudéssemos colocar em prática com os pacientes, na reabilitação neuropsicológica. Enfim, passado o momento de querer rasgar, fui pesquisar sobre o autor e encontrei vídeos de neurocientistas que usam a mesma premissa, ou seja, para prevenir o Alzheimer e outras doenças, é importante cuidar do todo, fazendo atividade física, alimentando-se bem, fazendo check up, tendo uma vida sem estresse, com lazer, etc. Não diz só isto, mas resolvi aproveitar só esta parte, pois até onde estudei na neuropsicologia, se uma pessoa com sintomas de demência, após tratamento, reverte o quadro, poderia ser uma pseudodemência depressiva (Caixeta, 2014), pois em alguns casos o paciente apresenta déficit cognitivo devido ao quadro de depressão, por exemplo, ou quadro infeccioso. Tratando esses quadros, a cognição voltaria ao funcionamento, diferente de uma demência por doença de Alzheimer, por exemplo, que, segundo a literatura, não há cura.

Referências:

Caixeta, L; Teixeira, A. L. – organizadores Neuropsicologia Geriátrica. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Mace, N. L. Alzheimer, o dia de 36 horas. São Paulo: Cienbook, 2020

Wilson et al. Reabilitação Neuropsicológica. Belo Horizonte: Artesã, 2020

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