Prevenção do Alzheimer

É possível prevenir o Alzheimer?

O que é demência?

Segundo Mace e Rabins (2020), demência seria um grupo de sintomas como confusão mental, perda de memória, desorientação espacial e outros. Esses, podem ser encontrados em vários transtornos e não só na demência. Já, de acordo com Abrisqueta-Gomes (2012) demência seria o declínio cognitivo associado a transtornos de humor e comportamento, diminuindo as habilidades sociais, profissionais e intelectuais e interferindo na qualidade de vida. O termo demência foi substituído por Transtorno Neurocognitivo (TNC) no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais em 2014 (DSM-5). Nele, encontramos que o TNC engloba o grupo de transtornos onde o déficit clínico primário está na função cognitiva, sendo transtornos adquiridos e não transtornos do desenvolvimento, ou seja, não estava presente no nascimento ou no início da vida, sendo um declínio quando comparado ao funcionamento anterior da pessoa (DSM-5®, 2014). Os sintomas da demência podem ser causados por diversos tipos de doenças como distúrbios da Tireóide, diabetes, carência de vitamina D ou B12, fatores cardiovasculares, hipertensão e outras. Nesse sentido, Caixeta (2014) ressaltou que o bom funcionamento cognitivo depende da homeostase dos sistemas orgânicos e não apenas da integridade do sistema nervoso central (SNC) citando como exemplo as infecções urinárias ou no aparelho respiratório como quadros que podem desencadear declínio cognitivo agudo (delirium) em decorrência do desequilíbrio orgânico.

Existe mais de um tipo de demência?

Abrisqueta-Gomes, em 2012, citou agrupamentos em categorias, como as degenerativas (doença de Alzheimier, Parkinson, Huntington e outras), vascular, infecciosa e doenças metabólicas. Já no DSM-5, vimos de forma um pouco mais específica, que os TNCs seriam devido à doença de Alzheimer, TNC Vascular, TNC com corpos de Lewy, TNC devido à doença de Parkinson, TNC frontotemporal, TNC devido a lesão cerebral traumática, TNC devido à infecção por HIV, TNC induzido por substância/medicamento, devido à múltiplas etiologias. No entanto, a doença de Alzheimer (DA) é a forma de demência mais comum na terceira idade (Caixeta e Teixeira, 2014).

A incidência tem aumentado?

De acordo com os autores do livro Alzheimer: o dia de 36 horas, estudos têm mostrado que a incidência de doenças demenciais possivelmente estariam em processo de declínio e que a sabedoria, o conhecimento acumulado e as habilidades especializadas podem ser aumentadas à medida que envelhecemos (Mace e Rabins, 2020). Numa entrevista realizada há 3 anos, feita por Fernando Aguzzoli, no seu canal do Youtube, disponível no link https://www.youtube.com/watch?v=r-CMcpvJIoI&t=48s, o nutrólogo Leandro Minozzo, concordou com essa afirmação porém alegou que a diminuição tem ocorrido no Reino Unido, por exemplo, mas que, no Brasil, o quadro ainda estaria longe disto. De acordo com Caixeta e Teixeira, (2014), queixa de declínio da memória é comum no envelhecimento sem, no entanto, ser comprometimento da memória de fato, geralmente está mais relacionada à dificuldades atencionais e na evocação da informação e não na armazenagem, quer dizer, dificuldade em lembrar e não em guardar a informação. Contudo, salientou a importância de saber o que essas queixas possam significar com relação ao risco de se transformarem em demência. Já, segundo Malloy-Diniz et al, em 2013, devido ao envelhecimento da população com o aumento da expectativa de vida em todo o mundo, a projeções estatísticas das doenças neurodegenerativas são alarmantes.

Quais as formas de prevenção?Prevenir o Alzheimer é diferente de prevenir outros quadros?

Minozzo enfatizou que a forma de prevenir o Alzheimer não seria diferente de prevenir outros quadros e que a atividade física seria a forma mais efetiva de prevenção. Além disso, é importante manter algum tipo de lazer; estimular a mente, buscando conhecimentos através de cursos e ter vida social ativa. Segundo ele, o isolamento tem sido uma constante na vida do idoso, principalmente nos últimos tempos com o uso da tecnologia. Salientou que a substituição das visitas por conversas em videoconferência não tem efeito positivo, contudo, o uso da tecnologia pela pessoa idosa é uma forma de gerar novas conexões neurais. Outra forma citada foi a leitura e, segundo ele, ler 3 vezes por semana por um período de 30 minutos seria um hábito de leitura frequente e , portanto, protetor do cérebro. Também, o Dr. William Rezende, em postagem há 3 anos no Youtube, acessível no link https://www.youtube.com/watch?v=aPq5zvcYhgw&t=365s , concordou com as formas citadas e enfatizou a importância da vida social, além da alimentação, prevenção de doenças e sono de qualidade, também comentados por Minozzo.

Treino cognitivo, funciona?

Segundo Abrisqueta-Gomes (2012), pesquisas mostraram que o treino cognitivo funciona e pode melhorar as habilidades cognitivas e funcionais de pacientes com Alzheimer, contudo, são necessários mais estudos a respeito. O treino cognitivo é um fator colaborador na prevenção do declínio cognitivo, uma vez que, devido à plasticidade neuronal, pode-se ter novas conexões neurais ou mesmo novos neurônios, independente da idade, em algumas áreas do cérebro. Gosto muito de usar, além dos materiais que produzo em consultório, os materiais encontrados no site https://www.reab.me/. Aliás, fiz bastante uso quando trabalhei com oficina de memória para idosos, grupos semanais, por 4 anos e hoje, trabalho individualmente, em consultório, mesclando com outras ferramentas. O treino cognitivo funciona não só com idosos, mas também com pessoas com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH, dificuldade de aprendizagem, transtorno de aprendizagem, déficit intelectual, Transtorno do Especto do Autismo (TEA) e outros.

O que é plasticidade neural?

A origem etimológica do termo plasticidade vem do grego plaiticós, que seria a capacidade de algo ser esculpido e moldado. Então, a plasticidade seria a capacidade de adaptação estrutural e funcional do sistema nervoso que ocorre em função de interações com o meio ambiente externo e interno (Muszkat e Mello, 2012). Sohlberg e Mateer (2011) corroboram essa ideia dizendo que “o cérebro é fundamentalmente modificado pela experiência”.

Referências

APA American Psychiatric Association- Manual diagnóstico estatístico de transtornos mentais. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Abrisqueta-Gomes, J e col. Reabilitação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Caixeta, L.; Teixeira, A. L. Neuropsicologia Geriátrica. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Mace, N. L.; Rabins, P Alzheimer- o dia de 36 horas. São Paulo: Cienbook, 2020.

Malloy-Diniz, L. F.; Cosenza, R. M. Neuropsicologia do envelhecimento, Porto Alegre: Artmed, 2013.

Sohlberg, Mckay Moore. Reabilitação cognitiva. São Paulo: Santos, 2011.

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