Memória x atenção: desfazendo a confusão!

Memória e atenção, qual a relação?

Me lembro quando criança, que eu me atrasava para sair de casa para a escola e, por vezes, encontrei o portão fechado. Ainda, esquecia o que ia comprar na padaria, perdia meu calçado preferido com frequência e, na hora da prova, passava raspando! Por isso, pensava que tinha uma memória péssima e foi assim durante a adolescência e parte da vida adulta. Ainda, eu precisava me esforçar muito e, uma vez, na faculdade de psicologia, na disciplina neuroanatomia, estava tão preocupada em passar que estudei muito e tirei total na prova. Aquilo foi um divisor de águas, pois geralmente me saia muito bem em disciplinas de compreensão, redação, mas memorizar aquele tanto de nome era muito difícil para mim. Anos mais tarde, percebi que o problema não era minha memória, mas a minha atenção é que era o problema. A partir dai, passei a entender melhor meu funcionamento e buscar estratégias para conseguir manter a atenção necessária para uma memorização mais eficiente. Entendi que quando estou desatenta, seja porque estou com fome, com sede, cansada ou com o humor alterado, a entrada da informação fica limitada ou comprometida e, portanto, não consigo guardar muita coisa, quer dizer, minha armazenagem fica deficitária. Logo, quando eu precisar daquela informação, se eu encontrar algo na minha cabeça, será fragmentos, ou seja, só pedaços, tipo aquelas lembranças sem pé nem cabeça, só partes que não se conectam. Aprendi que a repetição gera memorização e que quanto mais atenta eu estiver, a memorização acontecerá com maior eficiência. Entendi também que isso não acontece só comigo e que algumas pessoas têm mais facilidade de memorizar enquanto outras precisam se esforçar para conseguir um bom resultado.

Algumas pessoas tem uma maior velocidade de processamento da informação, além de uma memória operacional mais eficiente e aprendi que, quanto mais rápido for o processamento, mais eficiente é a memória operacional. Algumas pessoas conseguem distrair e voltar rapidamente ao que é relevante enquanto outras, enveredam pelos caminhos da distração e não conseguem retomar o percurso anterior facilmente. E você, qual é o seu funcionamento, como é sua atenção? Como você lida com a distração?

O que é velocidade de processamento e memória operacional?

Velocidade de processamento é o tempo que gastamos na execução de processamento da informação, ou seja, em quanto tempo eu associo uma informação que está guardada na memória de longo prazo, abstraio e compreendo. Para isso, uso a memória operacional que é exatamente a manipulação da informação, quer dizer, eu mantenho a informação na mente por um tempo e manipulo de modo a compreender. Quanto mais veloz é o processamento, melhor uso eu faço da memória operacional, se sou lenta, a tendência é distrair e esquecer o que estava processando.

Memória Operacional, apesar do nome, faz parte das Funções Executivas e não da memória propriamente, por isso, vamos abordar melhor esse tema em outro post, ok?

Memória, o que é?

Num sentido mais amplo, a memória engloba desde uma música que não nos sai da cabeça até a história de cada cidade ou pais, a cultura. O que usamos para diferenciar essas memórias são os mecanismos de aquisição, de armazenamento e de evocação. A aquisição relaciona-se à entrada da informação, àquilo que se aprende, enquanto a evocação, seria o processo de se lembrar do que está armazenado, daquilo que se recupera do que foi aprendido, ou seja, é a lembrança, seja ela espontânea ou através de pistas. O armazenamento refere-se ao processo de guardar a informação, na memória de curto e longo prazo. A memória nos faz únicos porque, diante de um mesmo fato ou de um objeto, cada um “grava” de maneira diferente, guarda e se lembra de um ponto de vista único . Essa gravação depende também da percepção do evento e essa, também é unica. Um outro aspecto interessante das recordações é que, além de conseguir esquecer, pode-se também alterar ou acrescentar elementos aos fatos e sentimentos. Isso é percebido quando relembramos de fatos da juventude, por exemplo (Carmargos, 2005).

Referência

Carmargos Jr., V.; Hounie, A. Manual Clínico do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade Nova Lima: Ed. Info Ltda, 2005

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